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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobre o homem que deixou o seu amor partir!


 janelaJá são quase dez horas da noite e ainda estou no trabalho olhando para a janela vazia. Tão vazia quanto a minha alma. Não gostaria de ter que voltar para casa. Mas voltar para onde? Lá encontrarei uma mulher que a cada dia está mais distante, fria e que criou para si um universo próprio onde não sou bem vindo. E para ser sincero gosto de não ter que habitar ali. Sei que ela sofre tanto quanto eu, mas entre nós cresceu uma muralha fortificada demais para que sejamos capazes de derrubá-la. Eu acreditava que o amor era progressivo, mas comigo foi diferente: a cada dia que passa vou assistindo o nosso se acabando. Hoje os diálogos não passam de técnicos “boa noite, bom dia, o jantar está pronto, até logo”, mas mesmo assim procuramos manter o respeito e, no mínimo uma aparência de que tudo vai bem. Não! Não temos noites de amor há bastante tempo, mas confesso que aos poucos fui aprendendo a conviver assim. Meus filhos? Eles também estão ocupados demais com aquilo que chamam de “a minha vida”, mas eu os compreendo e não quero atrapalhá-los. Não se preocupe, o fato de eu estar olhando para a janela não significa que exista algum risco - sou covarde demais para isso. Bom, é hora de ir. Vou levar comigo novamente aquela esperança de que desta vez será diferente. Na verdade todos os dias vou imaginando que hoje ela estará sorridente me esperando, reclamando do quanto demorei e com banho e o jantar preparados. Delírio de gente que vai ficando velha.
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